Mostrando postagens com marcador silencio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador silencio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de março de 2009

SILENCIO

Quando o clima fica tenso e o ar pesado, quando há dor, angustia ou algum mal entendido, ele entra. Nossos olhos param e se focam. Ficamos próximos mas não há toques. Nem uma palavra dita, mas milhões de pensamentos, e mesmo com tanta bagunça interna nossos olhos continuam paralisados, eu te olho e você me olha. Enquanto isso os pensamentos vão se acalmando, o ar fica mais leve, e nosso olhos mesmo paralisados começam a brilhar. Os músculos relaxam, então desvio o olhar e vejo um pequeno sorriso em sua boca e sorrio também. Mexo minha mão querendo que me de a sua. E em um impulso quase que sincronizado um abraço, um suspiro, e sem nenhuma palavra dita um beijo de alivio. Um corpo sobre o outro. Os olhos antes paralisados se reviram. O suor se mistura. O amor se espalha... . .... .. ...

O nosso silencio nos salva.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meu Eu

Era de noite, e eu andava pelo escuro sozinha na casa grande. Eu lembro tão bem como se fosse hoje. Sentia um cheiro estranho e uma vontade de vomitar terrível. Mas eu estava só e tudo me assustava. O barulho do atrito no carpete bege e velho me fazia tremer. Pensava que veria algo, pensava tão forte que quase via. Acendi uma vela e um cigarro pra me fazer companhia. Seguia respirando fumaça com a cera queimando minha mão. Droga não achei um maldito prato para apoiar. O telefone infeliz não funcionava, por isso sempre preferi as coisas velhas, como um fio faz falta.Era a minha caminhada até a janela que dava para a rua, em passos pequenos, e leves por causa do atrito. Não encostava em nada, por mais que sabia onde estava a parede tinha medo, medo de de repente encostar em alguém. Evitava sair correndo. Pânico. Pensei em jogar o cigarro, mas a fumaça me acalmava. Para onde tinham ido todos, e a luz? Era só a luz que eu desejava naquele momento. Piso frio. Sala de Estar. Escura. Queria gritar o nome do meu cachorro, mas não. Não fazia nada a não ser andar quieta. Suada. Minhas mãos doíam queimadas. O latido do cão me fez derrubar a vela que se apagou. Imediatamente me abaixei atrás do bar e la fiquei, e fiquei. Eu desejava desmaiar e acordar com a luz. Faltava pouco. Carpete de novo, desta vez macio. Sala de Jantar. Eu esbarro na pequena estante do vaso e o derrubo, o barulho do vidro naquele silencio absoluto foi escandaloso e eu gritei. Gritei forte, alto e com medo. Gritei como se fosse um ultimo grito. Me arrepiou a alma senti medo do grito e chorava. Chorava alto. Tinha medo do choro alto. Tinha medo do grito. Tinha medo do eco. Tinha medo do pensamento. Tinha medo do escuro...

Eu tinha medo de mim.