Era de noite, e eu andava pelo escuro sozinha na casa grande. Eu lembro tão bem como se fosse hoje. Sentia um cheiro estranho e uma vontade de vomitar terrível. Mas eu estava só e tudo me assustava. O barulho do atrito no carpete bege e velho me fazia tremer. Pensava que veria algo, pensava tão forte que quase via. Acendi uma vela e um cigarro pra me fazer companhia. Seguia respirando fumaça com a cera queimando minha mão. Droga não achei um maldito prato para apoiar. O telefone infeliz não funcionava, por isso sempre preferi as coisas velhas, como um fio faz falta.Era a minha caminhada até a janela que dava para a rua, em passos pequenos, e leves por causa do atrito. Não encostava em nada, por mais que sabia onde estava a parede tinha medo, medo de de repente encostar em alguém. Evitava sair correndo. Pânico. Pensei em jogar o cigarro, mas a fumaça me acalmava. Para onde tinham ido todos, e a luz? Era só a luz que eu desejava naquele momento. Piso frio. Sala de Estar. Escura. Queria gritar o nome do meu cachorro, mas não. Não fazia nada a não ser andar quieta. Suada. Minhas mãos doíam queimadas. O latido do cão me fez derrubar a vela que se apagou. Imediatamente me abaixei atrás do bar e la fiquei, e fiquei. Eu desejava desmaiar e acordar com a luz. Faltava pouco. Carpete de novo, desta vez macio. Sala de Jantar. Eu esbarro na pequena estante do vaso e o derrubo, o barulho do vidro naquele silencio absoluto foi escandaloso e eu gritei. Gritei forte, alto e com medo. Gritei como se fosse um ultimo grito. Me arrepiou a alma senti medo do grito e chorava. Chorava alto. Tinha medo do choro alto. Tinha medo do grito. Tinha medo do eco. Tinha medo do pensamento. Tinha medo do escuro...
Eu tinha medo de mim.
Eu tinha medo de mim.
